Palavra de Treinador
Para Celinho Spadotti, sua maior lição no futebol foi aprender a comandar

Leonardo Carvalho
Especial para o site da FPF


Nascido em Saltinho, próximo a Piracicaba, Celso Nazareno Spadotti ou Celinho Spadotti é treinador de futebol. Atualmente, dirige o Sub-18 do Juventus (SP) e será o comandante da equipe na 43ª Copa São Paulo de Futebol Júnior. Como a grande maioria dos treinadores, Spadotti começou sua carreira no esporte como jogador de futebol. Deu seus primeiros toques na bola na equipe do XV de Piracicaba, uma das mais tradicionais do interior paulista. Era lateral-direito, mas pela facilidade em jogar com as duas pernas, passou grande parte da sua carreira jogando na outra lateral.

Celinho passou por diversos clubes como a Ferroviária, o Uberaba (MG), o União Barbarense dentre outros. Aos 26 anos de idade, teve um golpe duríssimo na sua carreira: por conta de uma lesão grave em seu joelho, teve que parar de modo prematuro. O que para muitos atletas serviria de tristeza, Celinho encarou de outra forma. Vendo que seu futuro dentro das quatro linhas estava encerrado, preferiu focar nos estudos, mais especificamente na área de Educação Física.

Formado, Celinho voltou ao futebol em uma nova função. Agora, era preparador físico. Mas não durou muito tempo nessa área. O que queria, de verdade, era tornar-se treinador de futebol. Sua primeira chance foi no União Barbarense. Depois, rodou pelo futebol do interior: União São João, XV de Piracicaba, Ponte Preta, Guarani, Novorizontino, Ituano, Caxias, Juventude, Remo, Iraty entre outros.

Seu grande trabalho na carreira foi no Remo. Em 1997, o tradicional clube paraense estava em uma situação de rebaixamento. Celinho chegou e arrumou a casa. No mesmo campeonato, o Remo chegaria a final contra o rival Paysandu. Diante de 70 mil pessoas presentes no estádio Mangueirão, o clube sagrou-se pentacampeão paraense. Após isso, Celinho Spadotti sonha com momentos ainda melhores como treinador de futebol.

FPF: Celinho, onde você começou sua carreira como jogador de futebol?
Spadotti:
Comecei jogando nas categorias de base do XV de Piracicaba, que era o time da minha cidade. Foi um começo difícil como todos, mas foi muito gratificante com tudo que aprendi.

FPF: Analisando sua carreira como atleta, você acredita que foi uma carreira de destaque ou simples?
Spadotti:
Na realidade, diria que foi uma carreira mediana, infelizmente. Eu estudava e jogava bola ao mesmo tempo e isso era difícil na época. Por isso, diria que foi uma carreira mediana, mas muito feliz.

FPF: Quando você decidiu que era a hora de pendurar as chuteiras?
Spadotti:
Foi quando tive uma lesão séria em meu joelho. Naquela época, não existia a medicina que temos hoje em dia. Então, na minha cabeça, era a hora certa de parar.

FPF: Já como treinador, qual foi a equipe que te deu a primeira oportunidade de mostrar seu trabalho?
Spadotti:
Após ter me formado em Educação Física, resolvi começar a carreira como preparador físico. Mas vi que não era muito o que eu queria. Então, no União Barbarense, tive minha primeira chance como treinador de uma equipe. Foi uma experiência muito produtiva, pois aprendi muito.

FPF: Qual o momento mais marcante da sua carreira como técnico?
Spadotti:
Destacaria dois momentos importantes. O primeiro seria a fantástica recuperação que tive com o Remo em 1997. O time estava na zona do rebaixamento e consegui colocar o time numa final contra o Paysandu. Diante de 70 mil pessoas, ainda fomos campeões em cima do maior rival do estado. Foi algo memorável. A segunda grande lembrança que tenho é dos meus tempos no Iraty. Ainda em 1997, consegui colocar o Iraty (PR) na primeira divisão do estadual. Fiquei bastante feliz com esses dois momentos.

FPF: Quais treinadores você teve a honra de trabalhar ao longo de sua trajetória?
Spadotti:
Fui auxiliar do Vanderlei Luxemburgo, do Muricy Ramalho, Levir Culpi e até do Mano Menezes, atual comandante da Seleção Brasileira. Tive um bom relacionamento com todos eles. Conversávamos muito e aprendi muito com eles. Trabalhei com o Vanderlei na Ponte Preta e o Muricy no Ituano. Já com o Mano Menezes, na época que fui dirigente lá no Iraty, eu que o convidei para ser técnico do clube. Posso dizer que tive boas experiências com os melhores treinadores do país atualmente.

FPF: Na sua visão, seu estilo de jogo é mais ofensivo ou defensivo?
Spadotti:
Pelo fato de ter trabalhado muito tempo no Sul, diria que meu esquema é mais parecido com o dos gaúchos. Foco muito a marcação, mas não deixo de sempre focar uma saída objetiva quando estamos com a bola. Para você ter uma noção, lembra um pouco o estilo do atual técnico do Corinthians, o Tite.

FPF: Já revelou algum jogador para o futebol brasileiro?
Spadotti:
Revelei para o futebol o Maurício Ramos, zagueiro do Palmeiras. Ele trabalhou comigo lá no Iraty. Outro que também passou por mim no Iraty foi o Élton, avante do Vasco. O Renatinho, que jogou no Santos, no Sevilla e atualmente está no Botafogo, passou pelas minhas mãos no Guarani. Diria que essas foram boas revelações para o futebol brasileiro que tenho em minha carreira.

FPF: Ao longo de todo esse tempo no futebol, qual foi a grande lição que você teve?
Spadotti:
Uma das coisas mais importantes que aprendi no futebol é ser comandante. Para ter sucesso, deve ter comando. Ter os atletas na sua mão. Ter aquele feeling quanto a algumas situações no meio do futebol. Essa é uma das principais coisas que aprendi no futebol, a ser um bom comandante.

FPF: Qual conselho você daria para quem quer iniciar na carreira de treinador de futebol?
Spadotti:
Primeiro, deve se aprimorar ao máximo. Segundo, deve acompanhar muito o futebol, estar por dentro do que está acontecendo. Terceiro, estudar todos os sistemas táticos, tudo que se refere ao futebol. Tudo isso para que o treinador não entre sem saber nada. Só assim você saberá a maneira correta de dirigir uma equipe. Sem isso, é muito difícil trabalhar.

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