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Conviver com pressão, suspeita, insultos e ainda assim ter agilidade de raciocínio, julgamento e ação. Além do conhecimento da regra e preparo físico, um árbitro de futebol precisa de preparo psicológico para manter o desempenho digno das grandes partidas do futebol brasileiro, mesmo tendo que superar as dificuldades do dia-a-dia da profissão.
Para dotar a arbitragem paulista de um perfil altamente profissional em campo, e imune a amadorismos e assédios de qualquer ordem, é que funciona, desde novembro de 2005, o projeto "Apto para o Apito", resultado da parceria da Federação Paulista de Futebol (FPF) com o Instituto do Coração do sistema FMUSP/HC (InCor).
Uma das principais propostas das instituições ao lançar a iniciativa é proporcionar uma oportunidade de qualificação e reconhecimento de um profissional diferenciado, que é responsável pela condução e legitimação de um jogo de futebol.
O projeto “Apto para o Apito” nasceu com o objetivo de conhecer, reconhecer, e dar sustentação ao perfil do árbitro de futebol desde sua seleção para o Curso de Arbitragem até seu desligamento do Quadro de Árbitros da FPF. O processo aborda três áreas fundamentais (biomédica, psicológica e sócio-econômica) em três etapas.
Denominada “Desenvolvendo o Papel do Árbitro: espaços para novas possibilidades”, a primeira etapa foi realizada no dia 21 de novembro de 2005. Na ocasião, representantes dos principais atores envolvidos no espetáculo do futebol participaram de uma oficina de trabalho. Árbitros, assistentes, atletas, torcedores, a mídia, dirigentes de clubes e de federações foram ouvidos para delinear o perfil do árbitro ideal.
Com isso, ficou determinado que são dotes indispensáveis para um árbitro o preparo físico, segundo padrões da FIFA; disciplina pessoal e profissional; comportamento ético; capacidade de exercer liderança; autoridade de enfrentar situações de conflito, compartilhar e tomar decisões; e capacidade de lidar com comportamento agressivo e situações de estresse.
Com base nos resultados obtidos na oficina é que a segunda etapa “Conhecendo e Identificando a Identidade do Árbitro” foi posta
Os dados coletados apontaram fatores importantes e curiosos. Por exemplo: 54% dos árbitros possuem nível superior completo, 98% possuem outra fonte de renda que não a arbitragem, 53% estão satisfeitos com o clima institucional oferecido pela FPF, 73% se sentem orgulhosos por exercerem o papel de árbitros, 98% não fumam, 92% praticam esportes, 85% não apresentam problemas de saúde.
Depois de identificadas, as principais deficiências apontadas nos árbitros foram trabalhadas em reuniões temáticas. Durante todo o ano de 2006, grupos de 45 árbitros centrais e assistentes participaram dos encontros com representantes da FPF e do InCor.
Entre aulas, vivências, dinâmicas e discussões, os participantes trabalharam a criatividade, espontaneidade e percepção dos limites, com a finalidade do autoconhecimento de modo a obter a realização profissional. Durante o processo, mudanças efetivas ocorreram no campo da arbitragem da FPF, culminando no aprimoramento individual e do grupo, que ficou mais coeso e participativo.
Para a FPF, o ganho foi o fortalecimento do seu capital social, com a valorização da equipe de trabalho e do espírito corporativo; a redução da diferença entre saber e fazer; identificação e fortalecimento de lideranças; respeito humano; clima institucional acolhedor, orientador e motivador, e o desenvolvimento do indivíduo.
Passadas as duas primeiras fases, a terceira, chamada de “Formando a Identidade do Árbitro” é posta em prática com os alunos da Escola de Árbitros Flávio Iazzetti. Desde o processo seletivo até a diplomação e o ingresso no Quadro de Arbitragem, o futuro árbitro é acompanhado para ser adequado ao perfil necessário para apitar jogos de futebol.
Jogando em casa, o Internacional foi para cima do Grêmio Prudente, venceu por 2 a 0 e subiu para 31 pontos, ao lado de Santo